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Como o VAR está mudando as táticas do futebol — treinadores se adaptando à era do vídeo

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Emma Thompson
Repórter da Premier League
📅 Última atualização: 2026-03-17
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⏱️ 4 min de leitura

Publicado em 2026-03-17

Seis segundos. Foi o tempo que o VAR levou para intervir na final da FA Cup de 2022, anulando um gol do West Ham por impedimento. Seis segundos, e de repente, toda a estrutura tática do plano de jogo de um treinador pode desmoronar. Não estamos mais falando apenas de decisões individuais; o VAR está mudando ativamente a forma como o futebol é jogado, desde as linhas defensivas até a mentalidade de ataque, e os treinadores estão se esforçando para acompanhar o ritmo.

O impacto mais imediato e óbvio é na linha defensiva alta. Por anos, as equipes de elite aperfeiçoaram a arte de pegar os adversários em impedimento, uma dança milimetricamente perfeita na beira da legalidade. Pense na pressão sufocante do Liverpool sob Klopp, onde uma defesa bem treinada podia transformar um ataque perigoso em uma cobrança de falta rotineira. Mas agora, com o VAR escrutinando meticulosamente cada ombro, cada dedo do pé, essa margem de erro mínima se tornou uma responsabilidade.

Os treinadores estão optando cada vez mais por um bloco defensivo mais profundo, sacrificando os potenciais ganhos da armadilha de impedimento por maior segurança. Por que arriscar sofrer um gol que o VAR inevitavelmente confirmará, quando uma linha ligeiramente mais profunda oferece mais perdão? Isso não é apenas especulação; dados da Opta mostram uma ligeira, mas perceptível, diminuição nas chamadas de impedimento por jogo na Premier League desde a introdução do VAR, caindo de uma média de 3,2 na temporada 2017-18 para 2,7 na temporada 2022-23. Isso sugere que os defensores estão sendo instruídos a pecar pela cautela.

A Revisão Ofensiva

No ataque, as mudanças são igualmente profundas. Atacantes, antes elogiados por suas corridas instintivas no espaço, agora estão sendo treinados no posicionamento corporal. Um jogador não pode mais contar com o benefício da dúvida; cada parte de seu corpo é um alvo justo para a régua digital do VAR. Isso levou a uma mudança sutil, mas significativa, nos movimentos de ataque. Os jogadores estão segurando suas corridas por mais tempo, esperando a bola ser jogada antes de fazer seu arranque, em vez de arriscar um movimento antecipado.

Considere o impacto nas bolas paradas. O caos e o empurra-empurra na área, antes um elemento básico de escanteios e cobranças de falta, agora estão sob intenso escrutínio. Incidentes que poderiam ter sido ignorados como 'parte do jogo' agora são potenciais pênaltis ou cobranças de falta. Os treinadores estão instruindo os jogadores a serem mais inteligentes, a evitar contato desnecessário e a se concentrar puramente em ganhar a bola. Vimos isso na recente Champions League, onde Gabriel Magalhães, do Arsenal, foi penalizado por um puxão de camisa que, pré-VAR, poderia ter passado despercebido. Os dias de puxões e empurrões sutis estão desaparecendo.

O Jogo Psicológico

Além das mudanças táticas, há um elemento psicológico significativo. O atraso e a incerteza introduzidos pelo VAR podem quebrar o ímpeto, tanto para a equipe que celebra um gol quanto para a equipe que acabou de sofrer. Os treinadores agora precisam preparar seus jogadores para essas interrupções, garantindo que permaneçam focados, independentemente do resultado de uma verificação do VAR. É uma nova forma de resiliência mental que precisa ser incutida.

O jogo é mais lento, mais fragmentado e certamente menos espontâneo em sua arbitragem. Embora o VAR tenha sido introduzido para a justiça, ele se tornou, inadvertidamente, uma besta tática, forçando os treinadores a repensar aspectos fundamentais do belo jogo. Os dias do puro instinto estão desaparecendo; a era das táticas meticulosas e à prova de VAR chegou.

Previsão Ousada: Dentro de cinco anos, veremos um declínio significativo no número de gols marcados diretamente de cruzamentos, devido aos defensores serem treinados para manter linhas mais profundas e compactas e os atacantes estarem mais hesitantes em fazer corridas antecipadas, levando a um renascimento tático de jogadas de construção intrincadas e de passes curtos.