A maior questão depois de Mbappé fazer as malas para Madrid sempre foi: quem vai assumir? Para o PSG, a resposta, surpreendentemente, não tem sido um jogador. Tem sido um esforço coletivo, muitas vezes frustrante, ocasionalmente brilhante. Ousmane Dembélé, na sua segunda temporada, finalmente encontrou um ritmo. Ele não está a marcar 25 golos, mas os seus 11 golos e 14 assistências até março de 2026 são os melhores da sua carreira desde que deixou o Dortmund. A sua tomada de decisão no terço final, há muito criticada, melhorou, mostrando uma maturidade que nem sempre esteve presente. Ele ainda tem o drible deslumbrante, a explosão repentina, mas está a escolher melhor os seus momentos, ligando-se de forma mais eficaz com Gonçalo Ramos e Bradley Barcola.
Falando em Barcola, o miúdo é uma revelação. Depois de uma temporada de estreia promissora, mas ainda em bruto, Barcola explodiu. Ele foi o principal beneficiário da saída de Mbappé, herdando a ala esquerda e tornando-a sua. Os seus nove golos na liga e seis assistências não contam a história completa; é a sua intrepidez, a sua vontade de enfrentar os defesas e a sua finalização melhorada que chamaram a atenção. Lembram-se daquele chapéu audacioso contra o Marseille em outubro? Esse é o tipo de momento que Mbappé costumava proporcionar, e Barcola entregou. Ele não é Mbappé – sejamos claros, ninguém é – mas tornou-se o jogador de referência para uma faísca, especialmente quando as coisas emperram. O ataque do PSG, sob Luis Enrique, tornou-se mais fluido, menos dependente de um único super-estrela. Eles ainda criam oportunidades, com uma média de 2.5 xG por jogo, um pouco abaixo dos 2.8 com Mbappé, mas estão a distribuir a riqueza.
A questão é a seguinte: embora o PSG ainda esteja a disparar na liga – eles estão 10 pontos à frente do Nice com oito jogos restantes – o equilíbrio competitivo geral realmente melhorou. Não porque o PSG esteja mais fraco, mas porque outras equipas sentem uma vulnerabilidade, por mais ligeira que seja. Os dias em que Mbappé os salvava de uma má exibição com um momento de brilhantismo individual acabaram. Agora, se o meio-campo não está a funcionar ou a defesa está desleixada, eles *sentem* isso. Eles perderam pontos contra Lyon, Rennes e Lens esta temporada, resultados que pareciam menos prováveis quando Mbappé estava por perto.
O Nice, sob Francesco Farioli, tem sido a surpresa, ocupando o segundo lugar. A sua solidez defensiva é notável, concedendo apenas 18 golos em 26 jogos. Terem Moffi, com 12 golos, tem sido uma ameaça constante no ataque. O Lille também está à espreita em terceiro, graças à contínua proeza de Jonathan David (15 golos) e ao surgimento do adolescente Ayyoub Bouaddi no meio-campo. Os quatro primeiros parecem mais apertados, mais disputados, mesmo que a corrida pelo título em si continue a ser uma conclusão precipitada.
A sério: acho que isto é realmente *bom* para a Ligue 1. Durante muito tempo, a narrativa era "PSG e outras 19 equipas". Agora, há mais oxigénio para outras histórias. Estamos a falar do renascimento de Pierre Lees-Melou no Brest, ou da consistência goleadora de Arnaud Kalimuendo no Rennes (10 golos). Estamos a ver mais diversidade tática, menos equipas a tentar apenas defender e rezar contra o PSG. A média de público em toda a liga aumentou 3%, para 26.500 por jogo, sugerindo um interesse renovado para além do gigante parisiense.
A era pós-Mbappé no PSG é menos sobre substituir um homem e mais sobre redefinir a sua identidade. Eles ainda são um superclube, ainda compram os melhores talentos – gastaram 65 milhões de euros num novo médio defensivo no verão passado. Mas o foco agora está difuso. Está no jogo amadurecido de Dembélé, na exuberância juvenil de Barcola e até na liderança de Marquinhos, que parece mais vital do que nunca. Eles tiveram de se adaptar e, ao fazê-lo, tornaram a liga um pouco mais interessante.
A minha previsão ousada? Barcola será o melhor marcador da Ligue 1 na próxima temporada.