Harry Maguire sempre foi um pára-raios em Old Trafford. Desde a sua transferência de 80 milhões de libras em 2019, tornando-o o defesa mais caro do mundo, até ao constante escrutínio sobre as suas exibições, o internacional inglês raramente tem uma semana tranquila. Por isso, quando recentemente começou a elogiar Ruben Amorim, um treinador que nunca treinou o Manchester United, levantou mais do que algumas sobrancelhas. Maguire disse ao *The Sun* que Amorim, que foi fortemente associado ao cargo de treinador do United antes da eventual nomeação de Erik ten Hag, tinha "grandes ideias". É um endosso estranho para um cenário hipotético, especialmente vindo de um jogador que passou grande parte da última temporada a lutar por minutos sob o comando de Ten Hag.
Sejamos realistas, a dança das cadeiras de treinadores no United desde que Sir Alex Ferguson se reformou tem sido vertiginosa. David Moyes durou 10 meses. Louis van Gaal ganhou uma FA Cup, mas terminou em quinto. Jose Mourinho conquistou uma Liga Europa e uma Taça da Liga, e depois implodiu. Ole Gunnar Solskjaer teve os seus momentos, como vencer o PSG em 2019, mas, em última análise, não conseguiu entregar um troféu. Ralf Rangnick foi um penso rápido temporário. Depois chegou Ten Hag, vencendo a Carabao Cup na sua primeira temporada e terminando em terceiro na Premier League com 75 pontos. O clube tem procurado uma identidade consistente, uma direção clara, há mais de uma década. Amorim, atualmente no Sporting CP, tem feito um trabalho impressionante, guiando-os ao título da Primeira Liga em 2021 e levando-os a outra campanha forte recentemente. A sua perspicácia tática é inegável, mas ouvir Maguire, um jogador que viveu grande parte do caos pós-Ferguson do United, falar tão carinhosamente de um treinador que era apenas um rumor, parece um pouco como uma crítica subtil ao regime atual.
Os comentários de Maguire parecem menos sobre o génio de Amorim e mais sobre a própria frustração de Maguire. Ele fez apenas 16 jogos na Premier League na temporada passada, um contraste gritante com as suas 34 titularidades na campanha de 2020-21. Lisandro Martinez e Raphael Varane tornaram-se a dupla de centrais preferida de Ten Hag quando estavam em forma. Maguire, apesar de ter usado a braçadeira de capitão durante anos, viu-se relegado para um papel de suplente. O seu valor, outrora altíssimo, caiu significativamente. O clube chegou a aceitar uma proposta de 30 milhões de libras do West Ham no verão passado, que Maguire acabou por rejeitar. Talvez ele veja Amorim como um treinador que teria valorizado mais o seu conjunto de habilidades específicas, um treinador que poderia ter construído o seu sistema em torno de um central que joga com a bola e fisicamente imponente como ele. Não é um exagero pensar que um jogador, sentindo-se marginalizado, possa publicamente desejar um caminho diferente que o clube poderia ter tomado. A sério: se Amorim tivesse realmente chegado e Maguire ainda estivesse colado ao banco, ele estaria a cantar a mesma música? Provavelmente não.
Todo este episódio sublinha a panela de pressão que é o Manchester United. Cada palavra, cada potencial transferência, cada decisão passada é dissecada. Maguire está a tentar navegar o seu próprio futuro enquanto ainda faz parte do plantel. Ele tem contrato até 2025. A minha opinião? Isto é Maguire a colocar-se subtilmente na montra, sinalizando a outros clubes (e talvez até a futuros treinadores do United) que ele acredita num certo estilo de jogo e que está pronto para um novo começo noutro lugar onde se sinta mais apreciado. A minha previsão ousada é que Maguire estará a jogar noutro clube no início da temporada 2025-26.