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O Problema do VAR na Europa: Uma Cúpula de Verão Resolverá Algo?

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📅 19 de março de 2026⏱️ 4 min de leitura
Publicado em 2026-03-19 · UEFA busca consistência do VAR nas ligas europeias

Olha, todos nós já passamos por isso. Sentados no sofá, assistindo a um jogo da Premier League, e uma decisão do VAR aparece que não faz absolutamente nenhum sentido. Então você muda para La Liga ou Serie A, e um incidente quase idêntico é julgado de forma completamente diferente. É o suficiente para fazer você jogar o controle remoto na TV. A UEFA finalmente parece estar reconhecendo esse caos, planejando uma reunião de verão com as principais ligas europeias, incluindo a Premier League, para tentar resolver a consistência do VAR. Boa sorte com isso, eu digo.

A questão é a seguinte: todo mundo quer consistência. Torcedores, treinadores, jogadores — todos estão fartos. No mês passado, Gabriel Jesus, do Arsenal, teve um pênalti negado contra o Aston Villa por um puxão claro na área, uma decisão que pareceu branda em comparação com o pênalti de mão dado contra Ashley Young, do Everton, por uma infração semelhante contra o Liverpool em outubro. Vimos mãos serem marcadas por desvios no próprio corpo de um jogador, e outras serem ignoradas por toques aparentemente intencionais. Lembram-se do caos em torno do gol anulado de Marcus Rashford contra o Manchester City em janeiro de 2023, onde Bruno Fernandes foi considerado como interferindo na jogada apesar de não tocar na bola? Essa decisão gerou semanas de debate. Não se trata apenas de acertar a decisão; trata-se de acertá-la *consistentemente* em todas as fronteiras.

**O Problema Inglês (e de Todos os Outros)**

A Premier League, em particular, às vezes parece operar com seu próprio livro de regras. Tivemos desculpas da PGMOL por "erros humanos significativos" que impactaram diretamente os resultados, como o gol impedido de Luis Diaz contra o Tottenham em setembro de 2023, que foi incorretamente anulado. Aquele erro custou pontos ao Liverpool e gerou uma tempestade. Contraste isso com a forma como o VAR é usado, por exemplo, na Bundesliga, onde muitas vezes parece haver uma resolução mais rápida e menos drama em campo em torno do monitor. Ou considere a Serie A da Itália, que introduziu o VAR em 2017 – dois anos antes da Premier League – e teve mais tempo para refinar seus processos, embora até eles ainda enfrentem críticas. A subjetividade percebida do que constitui "erro claro e óbvio" na Inglaterra parece um alvo em movimento semana a semana.

A questão é que isso não se trata apenas de preconceito inglês ou má arbitragem. Trata-se de diferenças culturais na interpretação das Leis do Jogo. Uma falta considerada digna de revisão na Alemanha pode ser ignorada na Espanha. O plano da UEFA de trazer todas essas interpretações para a mesa é ambicioso, talvez até ingênuo. Como você padroniza a subjetividade? Você pode definir "impedimento" o dia todo, mas quando se trata de "desafio imprudente" ou "infração de mão", sempre haverá uma área cinzenta. E essa área cinzenta é onde as discussões acontecem. Tentar fazer com que árbitros de diferentes culturas futebolísticas concordem em cada microinterpretação parece tentar pastorear gatos.

Estou dizendo agora, esta cúpula da UEFA, embora bem-intencionada, não resolverá o problema central. Eles podem concordar em algumas pequenas alterações ou protocolos de comunicação, mas as diferenças fundamentais em como os árbitros individuais e os VARs são treinados e como eles *veem* o jogo persistirão. Ainda estaremos coçando a cabeça na próxima temporada, vendo um jogador levar um cartão vermelho na França por uma entrada que mal justificaria um amarelo na Inglaterra. Minha previsão ousada? Veremos algumas pequenas mudanças cosméticas anunciadas até o outono, mas as inconsistências fundamentais na aplicação do VAR em toda a Europa continuarão sendo um tema quente de debate até pelo menos 2026.