Olha, Adam Schefter divulgando a notícia de que Las Vegas é a anfitriã esperada para o Super Bowl LXIII em 2029 não é exatamente chocante. A liga adora Vegas. Eles realizaram o Super Bowl LVIII lá em fevereiro passado, um jogo onde Patrick Mahomes liderou os Chiefs para uma vitória de 25-22 na prorrogação sobre os 49ers. Essa foi a primeira vez que o Allegiant Stadium, inaugurado em 2020, sediou o grande evento. Agora, parece que eles estão voltando para mais, apenas cinco anos depois.
Não se trata apenas de uma cidade recebendo uma segunda chance. Trata-se do caso de amor contínuo da NFL com o brilho e o glamour, às vezes em detrimento do que torna o Super Bowl verdadeiramente especial. Lembra quando o jogo girava por uma gama maior de cidades? Jacksonville sediou o Super Bowl XXXIX em 2005. Detroit sediou o Super Bowl XL em 2006. Aqueles não eram anfitriões perfeitos, claro, mas ofereciam experiências diferentes, cenários diferentes. Agora, parece que um clube menor de cidades está recebendo toda a ação. Miami sediou 11 Super Bowls, Nova Orleans 10 e Los Angeles 8. Vegas, com seu enorme influxo de dólares do turismo e instalações de última geração, está rapidamente se juntando a esse grupo exclusivo.
A mudança da liga para abraçar Las Vegas foi rápida e decisiva. A mudança dos Raiders de Oakland para lá em 2020 foi o primeiro grande passo. Depois vieram o Pro Bowl em 2022 e 2023. O NFL Draft desembarcou lá em 2022, atraindo cerca de 300.000 fãs para a Strip. Tudo o que a NFL toca em Vegas parece virar ouro, pelo menos do ponto de vista da receita. O Super Bowl LVIII teria gerado um impacto econômico de mais de US$ 1,2 bilhão para a região. Não se pode culpar a liga por perseguir esse tipo de dinheiro.
Mas aqui está a questão: todo Super Bowl precisa ser uma festa corporativa de uma semana em um distrito de entretenimento construído para esse fim? Parte do charme costumava ser ver como diferentes cidades abraçavam o evento, como o integravam em sua própria cultura única. Pense no Super Bowl XLVII em Nova Orleans em 2013, quando a energia vibrante da cidade estava em plena exibição, apesar de uma queda parcial de energia. Ou no Super Bowl XLVI em Indianápolis em 2012, um mercado menor que se destacou em termos de hospitalidade. Vegas oferece um espetáculo, sem dúvida, mas é um tipo muito específico de espetáculo, um que parece cada vez mais fabricado.
Minha opinião? Sediar o Super Bowl LXIII em Las Vegas apenas cinco anos após o LVIII é um erro. Dilui o evento. O Super Bowl deveria parecer uma ocorrência rara, uma vez a cada década para uma cidade anfitriã, não uma parada regular. Quando uma cidade o recebe com muita frequência, a novidade se esgota, e o entusiasmo local, fora do benefício econômico direto, pode diminuir. Vimos isso em certa medida em Los Angeles, que sediou o Super Bowl LVI em 2022 no SoFi Stadium, apenas três anos após a inauguração do estádio. Embora tenha sido um sucesso, não houve o mesmo burburinho de "primeira vez" que um novo anfitrião poderia gerar.
A NFL deveria estar procurando expandir seu alcance, para levar a experiência do Super Bowl a novas bases de fãs e novos mercados. Há muitas cidades com times da NFL e estádios adequados que não sediam há décadas, ou nunca. Que tal Nashville, com o Nissan Stadium recebendo um novo teto? Ou até mesmo um retorno a uma cidade como Seattle, que sediou o Super Bowl XL pela última vez em 2006? A liga tem a chance de criar novas memórias em novos lugares, mas, em vez disso, parece contente em ficar com o que é confortável e, mais importante, o que é lucrativo.
Prevejo que, até 2029, o brilho da experiência do Super Bowl em Vegas terá diminuído para muitos fãs, e a conversa mudará para por que a liga continua voltando ao mesmo lugar.